O ser humano, tal como os organismos vivos mais ou menos complexos, depende fortemente do meio físico em que está inserido. Factores ambientais como a temperatura, pressão, luz, ruído, radiação ionizante, bem como constrangimentos crescentes decorrentes das alterações climáticas ou do aumento da poluição (atmosférica, aquática, luminosa, sonora), que podem gerar a expansão de vetores de doenças, o surgimento de doenças ou a degradação de ecossistemas, podem ser todos explicados por mecanismos físicos.
A Física explica, efectivamente, a maior parte dos eventos e fenómenos do dia-a-dia, bem como muitos dos mecanismos biológicos. Das radiações ionizantes à imagiologia, da luz (natural e artificial) aos estudos do sono, das correcções da visão e audição às pressões arteriais, da pneumologia e da mecânica aos estudos cardíacos ou neurológicos, entre muitos outros exemplos, a Física está presente. Mais do que na explicação desses fenómenos e mecanismos biológicos, a Física procura soluções para os problemas. E, claro, está também presente na inovação: a Física gera conhecimento.
Um conhecimento e visão interdisciplinares propiciam o desenvolvimento de novas tecnologias mas, também, a procura de soluções que dêem resposta a problemas que ultrapassam uma área específica de conhecimento. Na aprendizagem de Física Aplicada à Saúde os estudantes do curso irão lidar com sólidas componentes de física clássica e moderna e de matemática, enquadradas numa perspectiva One Health (Uma Saúde). É esta a abordagem no Curso de Física Aplicada à Saúde, dirigida aos futuros profissionais ou investigadores que irão contribuir para um melhor conhecimento da saúde humana, para um melhor ambiente e para uma melhor compreensão da interdependência entre o corpo humano e o meio físico onde nos inserimos.
A Licenciatura em Física Aplicada à Saúde é, assim, um curso distintivo que prepara profissionais para responder a desafios actuais na interface entre Física, tecnologia, saúde e ambiente. Este profissional poderá integrar equipas multidisciplinares e desenvolver actividade em hospitais, clínicas e laboratórios, em funções técnico-científicas de apoio à utilização, verificação de desempenho e segurança de tecnologias de diagnóstico e monitorização. Poderá ainda trabalhar em empresas tecnológicas e de dispositivos médicos (instrumentação, sensores, aquisição e processamento de sinal e imagem, validação, metrologia e controlo de qualidade), bem como em unidades de investigação e inovação e em entidades públicas ou privadas ligadas à avaliação de exposições e impactos ambientais com relevância para a saúde, incluindo, entre outras, a exposição à luz artificial e a poluição luminosa, com implicações no sono e ritmos circadianos.
