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FATTYMESS: Obesidade Induzida por Dieta Hiper-Lipídica na Metastização do Melanoma

Entidade Financiadora: Fundação para a Ciência e a Tecnologia

Referência do Projeto: EXPL/SAU-NUT/0843/2021

Entidade Proponente: Escola Superior de Saúde | P. PORTO

Instituição Participante: Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP)

 

 

PRINCIPAIS MECANISMOS NA RELAÇÃO OBESIDADE-MELANOMA

 

 

Enquadramento:

O melanoma, também conhecido como melanoma maligno, é uma neoplasia desenvolvida nos melanócitos, células especializadas na síntese do pigmento de melanina. É o mais agressivo de todas as neoplasias da pele, caracterizando-se pela presença de estados invasivos de progressão rápida, elevado potencial metastático e baixas taxas de sobrevivência pós-metastização, contribuindo para uma elevada morbilidade e mortalidade.

Atualmente, o excesso de peso, a obesidade e a composição da dieta são fatores de risco para vários tipos de cancro. O risco relativo de cancro associado à obesidade está bem estabelecido para 13 neoplasias distintas. A obesidade promove o aparecimento de cancro e tem um impacto negativo na progressão tumoral, levando a um pior prognóstico e a um maior risco de mortalidade das formas mais comuns de cancro em obesos. Por outro lado, existem outros tipos de neoplasias em que a adiposidade está associada a prognósticos mais favoráveis, evidenciando o conceito do “paradoxo da obesidade”. O papel da adiposidade na etiologia do melanoma é reconhecido, mas a correlação obesidade-melanoma não se apresenta tão forte.

Premissas:

Dados preliminares obtidos num estudo piloto revelaram um conjunto intrigante de resultados. Murganhos obesos apresentaram melanomas primários aumentados com elevada vascularização, aumentando as probabilidades das células malignas se destacarem do tumor primário, entrarem na circulação e metastizarem. No entanto, após a inoculação intravenosa de células de melanoma, o número de metástases pulmonares encontradas diminuiu significativamente nos animais obesos. Estes dados paradoxais levaram-nos a hipotetizar que as alterações associadas à obesidade atuam de modo ambivalente no melanoma: potencializando o crescimento do tumor primário, agressividade e angiogénese, diminuindo simultaneamente o potencial metastático dos melanócitos, prevenindo assim o crescimento do tumor secundário.

Objetivos e Estratégia:

Neste projeto, propomos explorar e aprofundar o impacto das dietas hiper-lipídicas e da obesidade na etiologia do melanoma. Em suma, a progressão, a angiogénese, o mimetismo vasculogénico e a metastização do melanoma serão avaliados por meio de um modelo animal in vivo geneticamente modificado submetido a diferentes dietas e regimes com quantidades variáveis de gordura. Posteriormente, os mecanismos moleculares subjacentes às alterações observadas serão examinados e aprofundados.

Resultados Esperados:

No seu conjunto, a obesidade e o cancro representam duas das mais letais e crónicas doenças da atualidade sobrepondo-se ao longo da sua etiofisiopatologia. É nossa convicção que este estudo contribuirá para uma nova perspetiva sobre o papel da acumulação de adiposidade na predisposição de indivíduos obesos ao melanoma enfatizando o papel da obesidade na prática clínica e no desenvolvimento de planos de tratamento individualizados e, em última instância, melhorar os resultados da terapia. 


Investigador Principal: Pedro Coelho

Equipa ESS|P.PORTO: Maria Raquel Costa, Joana Almeida & Cristina Prudêncio

Duração do Projeto: De janeiro de 2022 a junho de 2023 (18 meses)

Orçamento: 49.314,70€